sexta-feira, maio 22, 2026

Trigo mantém firmeza com oferta restrita e clima incerto

Trigo mantém firmeza com oferta restrita e clima incerto

Oferta curta sustenta preços

O mercado do trigo encerrou a semana com preços firmes no Brasil e estabilidade em Chicago. Segundo a CEEMA, a cotação do cereal para o primeiro mês chegou a US$ 6,67 por bushel no dia 19 de maio, uma das maiores desde maio de 2024. Depois, recuou e fechou a quinta-feira (21) em US$ 6,47 por bushel, o mesmo valor registrado uma semana antes.


De acordo com o relatório, o mercado externo do trigo segue influenciado pela continuidade da guerra no Oriente Médio e pelo relatório de oferta e demanda do USDA, divulgado em 12 de maio, que projetou a menor safra norte-americana de trigo desde 1972. Operadores também acompanham a competitividade do trigo do Mar Negro e das regiões europeias.

Nos Estados Unidos, as condições das lavouras adicionam preocupação ao mercado. Em 17 de maio, 43% das lavouras de trigo de inverno estavam entre ruins e muito ruins, 30% em condição regular e 27% entre boas e excelentes. Já o trigo de primavera havia sido plantado em 73% da área esperada, acima da média histórica de 66%, com 39% das áreas germinadas, contra 34% na média.

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Preços melhoram no Brasil, mas negócios seguem lentos

No Brasil, a CEEMA informa que os preços continuam melhorando lentamente. Nas principais praças gaúchas, o saco de 60 quilos foi cotado a R$ 65,00 na média da semana. No Paraná, a referência ficou em R$ 68,00 por saco. A tabela do relatório aponta R$ 65,00 em Nonoai e Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, e R$ 68,00 em Pato Branco e Marechal Cândido Rondon, no Paraná.

Apesar da melhora, o mercado nacional permanece travado. A CEEMA observa que compradores e vendedores acompanham o plantio da nova safra e demonstram preocupação com a possibilidade de o país colher menos trigo no fim do ano. A colheita começa pelo Paraná a partir de setembro, e o relatório aponta tendência de preços mais elevados no final de 2026 e início de 2027, especialmente se houver desvalorização do real perto das eleições de outubro, o que encareceria o produto importado.

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A oferta interna de trigo de qualidade superior é considerada pequena pela CEEMA. O relatório também menciona indefinições climáticas durante o ciclo produtivo e cita a necessidade de cautela em relação às informações meteorológicas, diante de discussões sobre a possibilidade de um super-El Niño nos próximos meses.

No curto prazo, o relatório reproduz avaliação da TF Agronômica de que o “mercado de trigo no Sul do país segue marcado por oferta restrita de produto de qualidade, preços firmes e negociações pontuais entre moinhos e vendedores”. No Rio Grande do Sul, os moinhos continuam buscando trigo de melhor qualidade, produto que não está fácil de encontrar. Para lotes considerados bons, os preços chegaram a R$ 1.500,00 por tonelada CIF, com pagamento em 45 dias, embora esse valor tenha sido apontado como máximo negociado na semana, e não como referência ampla de mercado.

Compradores pagam mais por qualidade nacional

A avaliação citada no relatório é de que, diante de dúvidas sobre parte do trigo argentino, alguns compradores preferem pagar mais por um produto nacional com qualidade mais garantida. Também houve aumento na procura por trigo branqueador, com bons volumes negociados. As coberturas de maio estavam completas, enquanto junho era estimado em 50% coberto.

Em Santa Catarina, o mercado foi descrito como o mais estável da Região Sul, recebendo ofertas do próprio estado, do Rio Grande do Sul e do Paraná. O trigo catarinense subiu para o mínimo de R$ 1.350,00 por tonelada FOB. As ofertas paranaenses ficaram entre R$ 1.320,00 e R$ 1.350,00 por tonelada, enquanto o trigo gaúcho variou de R$ 1.350,00 a R$ 1.400,00 por tonelada. No Paraná, os negócios da semana ficaram entre R$ 1.330,00 e R$ 1.400,00 por tonelada FOB, com embarques entre maio e julho.

Nos três primeiros meses do ano, o Brasil exportou 1,054 milhão de toneladas de trigo, a um valor médio de US$ 225,43 por tonelada, segundo a CEEMA. Desse total, 87,9% foi trigo gaúcho. Os principais compradores foram Vietnã, com 257.353 toneladas; Quênia, com 141.616 toneladas; Arábia Saudita, com 138.802 toneladas; Nigéria, com 117.480 toneladas; e Bangladesh, com 111.430 toneladas.

A CEEMA ressalta que, enquanto o Brasil importa grandes quantidades de trigo de qualidade superior, o país se tornou exportador de cereal de qualidade inferior, resultado das constantes frustrações de safra no Sul. Para produtores, cooperativas e moinhos, o cenário reforça a importância de acompanhar o clima, a qualidade industrial, o câmbio e o andamento da nova safra nos próximos meses.

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