terça-feira, agosto 4, 2026

Teste aponta eficiência de nanofertilizante produzido com caroço de açaí no plantio de milho e sorgo

Teste aponta eficiência de nanofertilizante produzido com caroço de açaí no plantio de milho e sorgo

O aproveitamento do caroço de açaí na adubação de lavouras do Brasil avaliado pela Embrapa Agroindústria Tropical apresentou resultado promissores em testes realizados em parceria com Universidade Federal do Ceará durante o plantio de milho e sorgo.

De acordo com os pesquisadores, a aplicação de nanofertilizante produzido a partir do pó do caroço do açaí contribuiu para aumentar tanto crescimento das plantas quanto o desenvolvimento de suas raízes em áreas de semiárido.


Os testes envolveram a aplicação de baixas doses do produto, em diluição de 10 miligramas por litro de água, em plantios de milho da variedade BRS-Gorutuba e sorgo 2502, ambas de ciclo curto, com aumento de 24% no crescimento do milho e de 164% no do sorgo.

Já as raízes dos dois cultivos tiveram crescimento 23% e 59% maior, respectivamente, quando comparados com o grupo de controle, sem aplicação do produto.

- Advertisement -

“Mostramos que um resíduo que normalmente seria descartado pode ser convertido em um material inteligente, capaz de interagir com sistemas biológicos e produzir efeitos mensuráveis no crescimento vegetal”, observa o professor Pierre Fechine, coordenador do Laboratório do Grupo de Química de Materiais Avançados (GQMat) da UFC.

Fechine lembra que no Brasil são geradas grandes quantidades de resíduos agroindustriais, especialmente na região amazônica. Para cada tonelada de frutos utilizada na extração da polpa de açaí, são gerados cerca de 700 quilos de caroços, que normalmente são descartados ou usados como combustível em caldeiras.

“Apesar de existirem poucos estudos sobre o uso do caroço de açaí em pequena escala como biochar (biocarvão), produção de bioenergia ou desenvolvimento de materiais compósitos, esse resíduo geralmente se acumula nos centros urbanos das regiões produtoras e em grandes cidades”, destaca o pesquisador Cláudio Carvalho, da Embrapa Agroindústria Tropical (CE).

- Advertisement -

Segundo Carvalho, o tamanho reduzido das partículas dos nanofertilizantes permitem que eles penetrem com eficiência nos tecidos vegetais, entregando nutrientes diretamente no nível celular e aumentando a absorção em relação aos fertilizantes foliares convencionais.

Cada tonelada de açaí processado gera cerca de 700 quilos de caroços — Foto: Divulgação
Cada tonelada de açaí processado gera cerca de 700 quilos de caroços — Foto: Divulgação

Ainda em fase de desenvolvimento, o nanofertilizante de caroço de açaí é obtido a partir de um processo chamado de síntese hidrotermal. Nele, o material é submetido a alta pressão e temperatura, levando a uma quebra de suas moléculas orgânicas e reorganização em carbon quantum dots (pontos quânticos de carbono), nanopartículas extremamente pequenas, milhares de vezes menores do que um fio de cabelo humano.

Descobertos por acaso no início dos anos 2000, durante estudos envolvendo nanotubos de carbono, hoje os carbon quantum dots são avaliados para aplicações em sensores químicos, diagnóstico médico, bioimagem, células solares, LEDs, tratamento de água.

Na agricultura, eles podem atuar como estimuladores do crescimento vegetal, aumentar a eficiência do aproveitamento da luz pelas plantas e auxiliar no transporte de nutrientes, contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.

“Em laboratório, trabalhamos com pequenas quantidades e controle rigoroso das condições de síntese. Em uma fábrica, é necessário garantir que cada lote apresente as mesmas propriedades químicas, ópticas e biológicas”, esclarece o professor da UFC.

Últimas Notícias

Mais notícias