Especialista destaca manejo integrado, nutrição e qualidade
Neste 14 de abril, quando o setor celebra o Dia Mundial do Café, a atenção se volta não apenas para a importância econômica e cultural da bebida, mas também para os desafios dentro da porteira. Em entrevista, Ana Paula Carvalho, coordenadora de DTM do Grupo UbyAgro, destaca que a eficiência da lavoura cafeeira está diretamente ligada a um conjunto de manejos adotados ao longo de todo o ciclo da cultura.
Ana Paula explica que fatores como fertilidade e saúde do solo, sanidade das plantas e equilíbrio nutricional precisam caminhar juntos para garantir melhor desempenho da lavoura. Na avaliação da especialista, esse olhar mais amplo é o que permite ao produtor construir uma cafeicultura mais eficiente e preparada para enfrentar adversidades.
Ao abordar a nutrição equilibrada e o fortalecimento da planta, ela ressalta que esse processo é essencial para o funcionamento fisiológico do cafeeiro. “Uma planta equilibrada nutricionalmente, ela consegue trabalhar melhor o recurso da água no sistema, ela consegue ter mais eficiência fotossintética, ela vai ter mais energia, vai ter mais produção de açúcares e vai influenciar positivamente na produtividade”, diz.
Outro ponto destacado por Ana Paula é a relação entre qualidade e valorização da produção. Para ela, o mercado remunera de forma distinta os cafés conforme os atributos entregues ao consumidor, e essa diferença começa a ser construída ainda no campo.
“Quando a gente vai ao supermercado escolher um café, existem vários tipos de café e preços variados. Essa variação se dá pela qualidade da bebida que cada um vai entregar”, compara.
Ela observa que, antes de chegar à xícara, o café passa por uma série de avaliações ligadas à peneira, peso, qualidade da bebida e outros parâmetros que impactam diretamente a formação de valor. Por isso, o produtor que busca diferenciação precisa acompanhar cada etapa do desenvolvimento da planta, com atenção à fisiologia, ao metabolismo e à sanidade da lavoura.
Dentro desse contexto, Ana Paula também reforça que, embora o clima não possa ser controlado, o produtor pode se preparar melhor para reduzir perdas e aumentar a resiliência do cafezal. Entre as práticas citadas estão o manejo de solo, o aumento da matéria orgânica, a cobertura vegetal, a irrigação eficiente, o uso de variedades adaptadas, quebra-ventos, sombreamento, bioestimulantes e o monitoramento climático.
MAIS:
Liderança global: O Brasil se mantém como o maior produtor de café do mundo, responsável por cerca de 35% a 40% da produção global, segundo dados de entidades como USDA e Organização Internacional do Café
Força nacional: Minas Gerais lidera a produção brasileira, concentrando mais de 50% do café nacional, com destaque para regiões como Sul de Minas, Cerrado Mineiro e Matas de Minas
Potência exportadora: O Brasil exporta, em média, 40 a 45 milhões de sacas por ano, mantendo posição de maior exportador global e abastecendo mais de 100 países
Consumo interno aquecido: O brasileiro consome cerca de 5,8 a 6,2 kg de café por habitante/ano, colocando o país entre os maiores consumidores do mundo
Média global: O consumo mundial gira em torno de 1,3 kg por pessoa/ano, evidenciando o forte hábito cultural do café no Brasil
Cadeia estratégica: A cafeicultura brasileira envolve mais de 300 mil produtores e tem papel central na geração de renda, empregos e divisas no agronegócio
